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Planejamento é fundamental

No final de janeiro, tivemos a oportunidade de conhecer o trabalho do professor William Eimicke, diretor do Picker Center, o centro de educação executiva da Escola de Relações Públicas e Internacionais da Universidade Columbia (EUA).

Ele já atuou como consultor de gestão para diversos governos e organizações privadas, além de lecionar nas universidades de Pequim e Cingapura.

Eimicke elenca o planejamento como o terceiro de quatro elementos fundamentais para um governo mais eficiente, com entregas de qualidade para a população.
O primeiro ponto é a existência de lideranças políticas fortes, com legitimidade para comandar esse processo. O segundo, o equilíbrio fiscal que permite um planejamento mínimo e mostra qual a capacidade financeira para a adoção de ações futuras.

Em seguida, o planejamento estratégico e, por fim, a mensuração de resultados, permitindo que a efetividade das decisões tomadas seja analisada.

Como se vê, as dificuldades fiscais enfrentadas por União, Estados e municípios seriam um entrave para a formulação de um planejamento estratégico amplo e efetivo. No entanto, isso não impede que o debate seja iniciado, sob o risco de passarmos os próximos anos com a sensação de estarmos sempre tentando minimizar os impactos de escolhas que nem sempre são as mais adequadas.

Além disso, mesmo no difícil cenário econômico atual, é possível nos depararmos com administrações públicas de melhor equilíbrio financeiro. É o caso de cidades que integram o Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável, programa de aprimoramento da gestão e dos serviços públicos municipais liderado pela organização social Comunitas.

O Juntos aposta na união entre sociedade civil, setor público e iniciativa privada para promover essas mudanças. O programa conta com líderes empresariais que formam seu núcleo de governança, onde são tomadas as decisões estratégicas e se acompanha o desenvolvimento dos projetos executados.

Em 2016, o programa, focado em ações de equilíbrio fiscal, inovação, fortalecimento de lideranças públicas e engajamento da sociedade, passa a dedicar-se também ao planejamento estratégico das cidades parceiras.

Para que seja real e efetivo, ele precisa ser criado de forma transparente e envolver a sociedade, organizações sociais, setor produtivo e entidades representativas de forma geral. Assim, não será vinculado a uma corrente política, e sim à própria sociedade.

Naturalmente, esse debate requer maturidade institucional, política e social. Afinal, um planejamento estratégico deve elencar prioridades, e sabemos que os recursos são finitos. Logo, não é possível atender a todos os interesses.

Como sociedade, devemos refletir e escolher qual é a questão mais importante a ser melhorada. Precisamos também mensurar os investimentos necessários para isso, assim como determinar de onde os recursos seriam tirados.

O ano passado certamente foi difícil para os brasileiros. Este 2016 também reserva desafios. É natural que, em uma crise, atitudes emergenciais sejam tomadas.

Todavia, não podemos abrir mão de um debate sério e estruturado sobre o nosso futuro enquanto sociedade. Esse processo deve atingir todos os níveis de governo, sempre com a participação ampla de diversos setores.

Afinal, como bem diz o professor Eimicke, o planejamento estratégico mostra como as ações adotadas hoje podem nos fazer chegar aos objetivos de amanhã. Para isso, é urgente definir que direção queremos, afinal, seguir.

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